Era o verbo… =/= A voz de Eco =/= O número zero =/= Inovador da imprensa =/= Obras sem censura – #BC

By | July 15, 2015

Boletim Cultural – 14 de julho de 2015

TEMPOS MODERNOS NO PLANALTO
Após ser duramente criticada por publicar imagem que associava o Programa de Proteção ao Emprego com cena do filme “Tempos Modernos” de Charlie Chaplin, a página oficial do Palácio do Planalto no Facebook retirou a imagem da rede social. A imagem trazia Chaplin em cena clássica do filme, curvado e operando uma máquina, com a legenda “Jornada de trabalho menor… e meu emprego garantido!”. Para muitos leitores, o conteúdo postado pela equipe do Gabinete Digital (vinculado à Secom) foi infeliz e de mau gosto, no momento em que o governo opera um ajuste fiscal e manobras para reduzir os direitos trabalhistas; mais um exemplo da comunicação “errática” do governo federal, como citado em documento interno do Planalto que veio a público em março.

A VOZ DE ECO
Em entrevista recente o romancista, filósofo e crítico literário Umberto Eco discorreu sobre diversos temas, como o jornalismo, a internet e seu novo livro, “Número Zero”. Comentando sobre declaração feita a uma revista recentemente, onde disse que a internet dá voz a uma multidão de imbecis, Eco reforçou a opinião, afirmando que com a internet “o imbecil passa a opinar a respeito de temas que não entende”. Quanto ao jornalismo, afirmou que mais espaço deveria ser dedicado à análise de informações, desmentindo informações falsas encontradas na internet, como forma de não se tornar “vítima da internet, repetindo o que circula na rede”.

O NÚMERO ZERO
O novo livro de Eco – autor de “O Nome da Rosa“, que vendeu mais de 30 milhões de cópias – pode ser considerado um “manual do mau jornalismo”. Recheada com teorias conspiratórias e fazendo referência a Silvio Berlusconi, a história se passa na Itália durante os anos 1990 e é narrada por Colonna, que trabalha na redação do jornal “Amanhã”, cujo objetivo único é publicar revelações escandalosas e elevar seu idealizador aos altos ciclos do poder em troca de silêncio. Em um livro muito mais sucinto do que outras obras suas (que em média possuem 600 páginas), nas pouco mais de 200 páginas de “Número Zero” Eco escreve de maneira “jornalística”, mantendo um ritmo rápido, sem ser descritivo e com diálogos curtos, maneira com que o autor afirma tentar “criar um estilo adequado ao tema e à ambientação histórica de cada romance”.

INOVADOR DA IMPRENSA
Jorge Caldeira, o jornalista-biógrafo, acaba de produzir mais um livro de referência: “Júlio Mesquita e Seu Tempo”, sobre o editor paulista que elevou o jornal “O Estado de S. Paulo” à categoria de grande veículo da imprensa brasileira. Segundo o historiador, inicialmente o jornal era um órgão de imprensa partidária, que difundia o ideal republicano de seus fundadores: cafeicultores do hinterland paulista interessados em mudar o regime monárquico vigente. Mesquita, começando com a pequena publicação então chamada de “A Província de S. Paulo”, em 1888 (3 mil assinantes) libertou-se das amarras partidárias para focar no leitorado múltiplo que ampliou a circulação do “Estadão” para 75 mil exemplares quando de seu falecimento, em 1927.

OBRAS SEM CENSURA
Na última semana foi aprovado o projeto de lei que garante a publicação de biografias não autorizadas, sem a emenda que possibilitava a biografados e herdeiros pedirem a exclusão de trechos das obras em futuras edições. A emenda, proposta pelo senador Ronaldo Caiado e retirada pelo relator da proposta, senador Romário, após ponderações de entidades que defendem a plena liberdade de expressão.  É de se registrar que a matéria já foi pacificada pelo Supremo: acabou a censura de biografias no Brasil – como desejavam alguns artistas já situados fora de sua época, os tais “democratas de palco”.

* Colaboração: Gabriel Dietrich, Acadêmico de Jornalismo, UFPR

Rafael de Lala, Presidente da Diretoria
Hélio de Freitas Puglieli, Diretor de Assuntos Culturais

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *